Sunday, August 20, 2006

UNEB – Universidade do Estado da Bahia
Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias
Campus XX – Brumado Curso: Letras Português – VII Semestre
Disciplina: Política Educacional Profª Patrícia Magris
Aluna: Luiza Raimunda Falcão Nunes


AS RELAÇÕES DA ESCOLA COM A COMUNIDADE

A relação família e escola é um dos pilares mais importantes no processo educativo. Mas, sabe-se, que nem sempre essa relação complementa-se, pelo contrário, é muito comum a escola queixar-se da ausência da família e vice-versa. Nesse contexto, Anita Fávero diz:
[...] Por diversas razões, não se conseguiu até o momento, desenvolver junto ás escolas um programa abrangente de relacionamento com a comunidade. A centralização exagerada que até recentemente caracterizou a administração educacional e a falta de tradição de participação da sociedade na solução de problemas educacionais inibiram a inserção da escola nos grupos sociais a que serve. (1998, p.283)

Percebe-se que até hoje são poucos os casos em que família e escola interagem-se, uma das poucas ligações que ambas têm é através das Associações de Pais e Mestres – APMs, em que compartilham a responsabilidade sobre a educação escolar. Geralmente a escola solicita reuniões uma a duas vezes por semestre ou mesmo uma vez por ano para dar algumas explicações, que, em muitas vezes, acabam apenas fazendo queixas sobre o comportamento e o desempenho escolar dos alunos. Há também eventos festivos como festas juninas, dias dos pais e mães, etc. Quase sempre é nisso em que se resumem as relações Família-Escola, os pais acabam ficando afastados dos acontecimentos no campo escolar.
Diante dessa realidade e do fato de que a escola com a participação efetiva da família consegue elevar a aprendizagem dos alunos, é imprescindível envolver os familiares na elaboração da proposta pedagógica para obter esse entrosamento entre escola e família, para que estes não sejam apenas coadjuvantes do processo de ensino-aprendizagem de seus filhos, e sim atuantes nesse processo.
No artigo Relações Família e Escola – continuidade e descontinuidade no processo educativo, a autora Jerusa Gomes comenta.
[...] parece-me possível e necessário um trabalho de conhecimento do bairro e de sua população, para que cada uma das escolas possa adequar seus planejamentos às expectativas e condições reais de vida e de trabalho das famílias que lhes fornecem a clientela. E isto, creio, aplica-se a qualquer Escola, de todo e qualquer bairro. (1993, pág. 85)

Vale ressaltar ainda que é de fundamental importância levar em conta a especificidade dos bairros, das escolas e das famílias que os habitam, já que as relações família–escola diferem de bairro para bairro, de classe para classe e, até mesmo, de diretor para diretor.
Outro fator que dificulta a relação entre família e escola é sobre a mudança da estrutura familiar, pois a maioria das instituições de ensino não conseguiu assimilar quase nada a esse respeito, e por não conseguir viabilizar seu papel na vida dos alunos a escola coloca a culpa na ausência dos agentes familiares.
Sobre essa questão, Paola Gentile em uma entrevista concedida para a Revista Nova Escola, afirmou o seguinte:
Quando as notas são altas e tudo vai bem, ninguém pensa em discutir a relação. Se o boletim e comportamento deixam a desejar, começa o jogo de empurra. Professores culpam a família “desestruturada”, que não impõe limites nem se interessa pela educação. Os pais por sua vez, acusam a escola de negligente, quando não tacham o próprio de irresponsável. Nessa briga – nada saudável – a única vitima é o próprio aluno.(JUNHO 2006, p.16)

A Lei das Diretrizes e Bases (LDB) nº 9.394/96 em seu artigo 12, propõe um processo de “articulação” com a família e a comunidade, no sentido de criar processos de integração da sociedade e a escola, a necessidade de informação aos pais e responsáveis, não só da freqüência e rendimento dos alunos, mas também sobre a execução da proposta pedagógica.
Diante disso, pode-se perceber que a escola muitas vezes é omissa a respeito das políticas publicas que dão importância à família como participante do processo de ensino-aprendizagem.

Assim , diante de tudo que foi argumentado, A escola precisa inserir a família em seu projeto pedagógico e estabelecer cronogramas de trabalho de longo, médio e curto prazos, contando com a participação dos envolvidos: equipe pedagógica, alunos, pais e responsáveis, pois sabe-se da importância da família na escola como um dos agentes auxiliadores do processo de ensino – aprendizagem, além de que uma família que é atuante na escola com seus filhos contribui na formação do aluno como cidadão responsável dentro da sociedade a qual vive.



REFERÊNCIAS

MARTELLI, Anita Favaro.Relações da Escola com a Comunidade. In: MENESES, João Gualberto de Carvalho. (Org.). Estrutura e Funcionamento da Educação Básica - Leituras. 1ª ed. São Paulo: Pioneira, 1998, p. 283.

GENTILE, Paola. Parceiros na aprendizagem. Revista Nova Escola.junho/julho 2006.

PAGOTO, Lúcia Ferreira Borges. Uma relação possível é necessária. Mundo Jovem, abril. 2006, p.11.


Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ .Acesso em: 18 de agosto. 2006.

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