Tuesday, August 22, 2006

Sistema Educacional: Avaliação e Padrão de Qualidade[1]

Sistema Educacional: Avaliação e Padrão de Qualidade[1]
Rayra Santos Silva[2]
Por uma questão de preferência e estilo, introduzo este texto mostrando aquilo de que somos possuidores em termos de educação neste país. Temos um ensino em que predomina a fala massiva, um número excessivo de alunos por sala, professores mal preparados, mal pagos,pouco motivados e evoluídos. Temos bastantes alunos que ainda valorizam mais o diploma do que o aprender, que fazem o mínimo (em geral) para serem aprovados, que esperam ser conduzidos passivamente e não exploram todas as possibilidades que existem dentro e fora da instituição escolar. A infra-estrutura costuma ser inadequada. Salas barulhentas, pouco material escolar avançado, tecnologias pouco acessíveis à maioria. Assim pergunto: e o que não temos?
Infelizmente ainda não temos o que deveríamos e precisaríamos ter, e essa conclusão se dá à medida em que o sistema educacional vigente é avaliado. Mediante avaliação, dados nos são fornecidos, dados esses, em maior parte, negativos, mas que servem de orientação para a elaboração de políticas que equacionem os problemas identificados.
O Saeb (Sistema Nacional de Avaliação de Educação Básica) é um dos principais sistemas de avaliação da América Latina. É ele que mede o desempenho da educação no país. Com os resultados, o Ministério tem condições de discutir e elaborar políticas educacionais para a melhoria da qualidade do ensino.
As avaliações da qualidade do ensino realizadas pelo Inep/MEC quantificam a influência dos aspectos extra-escolares no aprendizado dos estudantes brasileiros. Fatores como bens culturais, atividades extracurriculares, hábitos de leitura, interesse por assuntos atuais e participação dos pais têm fortes impactos sobre o desempenho escolar, como é possível verificar por meio dos resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Estudos mostram que grande parte do aprendizado dos alunos pode ser creditada a fatores externos à escola. A partir de um levantamento realizado pelo Inep que cruzou a nota e a realidade socioeconômica dos participantes no Enem, foram identificadas diferenças no desempenho relacionadas à vida extra-escolar.
Esse cenário, explicitado pelas avaliações, reforça a idéia de que a melhoria da qualidade do ensino não deve ser uma responsabilidade exclusiva dos setores educacionais dos governos municipais, estaduais e federal, mas resultado de uma ação articulada de organismos ligados à educação, cultura, esporte e lazer, ciência e tecnologia, governamentais ou não. É necessário desenvolver a concepção de uma sociedade educadora, onde a tarefa de produzir e disseminar conhecimento ultrapasse os limites da escola, sem subestimar a sua importância, oferecendo oportunidade de acesso a atividades culturais e esportivas, às novas tecnologias e à saúde preventiva. Todos os organismos governamentais, municipais, estaduais e federais devem ter uma dimensão educativa e pedagógica em suas ações.
Contudo, os esforços para melhorar o sistema de ensino brasileiro devem ser de toda a Nação. Além de garantir o acesso e a permanência a todos os níveis de escolarização, é necessário melhorar, em muito, a qualidade. E este não pode ser um desafio apenas da escola ou dos sistemas de ensino, mas de toda a sociedade.

[1] Trabalho para efeito de créditos da disciplina Política Educacional, no VII semestre do curso de Letras do Campus XX da UNEB, 2006.
[2]Discente no VII semestre do curso de Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas.

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