Saturday, August 19, 2006

Orientações didáticas na LDB

Orientações didáticas na LDB

Uma fábula conta que os ratos reuniram-se para tentar resolver um grande problema que assolava a sua comunidade: os ataques do seu mais temível inimigo, o gato. Diante das constantes baixas na população fazia-se necessária uma atitude que fosse bastante eficaz, começaram a reunião e as propostas foram surgindo.
Idéias e mais idéias foram surgindo, até que o ratinho mais conhecido da região discursou solenemente: “Atenção, tive uma brilhante idéia! Vamos colocar um sininho no pescoço daquele déspota, dessa forma será mais fácil prevermos a sua chegada!”. Era a glória. A multidão aplaudiu fervorosamente, foguetes rasgaram o céu e o trio elétrico começou a tocar. Porém um deles demonstrou preocupação e lançou a pergunta bombástica: “Está muito certo. E quem irá colocar o sino no pescoço do bichano?”.
Nunca se discutiu tanto sobre “educação” como agora. Diante das extremas mudanças pelas quais as sociedades vêm passando, em todos os setores, iniciaram-se numerosos debates em defesa da educação enquanto solução dos problemas sociais. Assim, tem-se conhecimento acerca do que deve ser feito, fazer, entretanto, continua a ser o maior desafio.
A própria Lei nº 9. 394 de 20 de dezembro de 1996, a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, se inspira nos “princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana” e apresenta como finalidade da educação "...o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” Isso evidencia que a educação escolar é uma prática que reveste atributos no homem e na estrutura social almejada. A união desses princípios com a atividade-fim da escola irá se concretizar por meio da orientação didática, que tem como intenção a efetivação desses fins e objetivos da educação brasileira.
O texto da lei indica ainda, segundo Pedro Demo[1], uma abertura e uma progressiva autonomia em relação à organização dos sistemas de ensino cujo objetivo é promover, sobretudo, aprendizagem dos alunos. Para isso, a avaliação é consagrada como parte intrínseca do processo ensino aprendizagem na medida em que é ajuizada processualmente e cumulativamente; a gestão democrática como alicerce de uma escola primorosa; e, a formação e valorização dos profissionais da educação como eixo central na educação de qualidade.
Vale afirmar, então, que são muitos os fundamentos propostos nessa lei, porém, muitos deles afetam partes da própria legislação. Um exemplo é a colocação do ensino enquanto instrumento do processo educativo e não enquanto o meio pelo qual se desenvolve a educação. Porém, apesar de observar algumas orientações presentes na LDB que, na prática, são inoperantes devemos levar em conta a sua função ordenadora e unificadora.
Diante do exposto devemos repensar sobre o ato de educar. Havemos de entender a educação, portanto, como um ato contínuo de formação, que envolve valores morais de cultura, que respeite as individualidades e diversidades do indivíduo e que articule o conhecimento na perspectiva de conhecer, compreender e agir. Tudo isso com uma certa dose de ponderação, simplicidade e intuição, visto que o ser trabalhado é o homem e ele necessita bem mais do que é aparente. Deve ser feita uma retomada dos profissionais da educação que é quem se dispõe a ensinar, a construir o dia-a-dia, é quem se responsabiliza a oportunizar a dúvida. E por fim, deve-se considerar o outro como único e próximo. Dessa forma, tornam-se confiantes, eficazes e seguras as propostas feitas nas assembléias e quem sabe até colocar o sino no pescoço do gato.
[1] DEMO, Pedro. A nova LDB: ranços e avanços. Campinas, SP: Papirus, 1997.

Kleyse Tanajura

1 Comments:

At 19 August, 2006 19:29, Blogger Key said...

Ops, desculpe-me.Esqueci de colocar meu nome.

Kleyse Tanajura

 

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