Tuesday, August 22, 2006

GESTOR E/OU DIRETOR ESCOLAR

GESTOR E/OU DIRETOR ESCOLAR[1]
Ivanete M. S. Oliveira[2]


O termo “diretor de escola” passou por uma mudança de conceito nos últimos anos que parece ser irreversível. Há algum tempo quando se ouvia essa expressão vinha à mente a idéia daquela pessoa que dava ordens e que impunha disciplina e respeito aos alunos, professores e funcionários dentro do ambiente escolar. Atualmente, as exigências da sociedade por uma educação democrática geraram o conceito de que o papel do diretor deveria mudar e avançar para o papel de um administrador, com todas as implicações que essa mudança traria, daí o termo “gestor educacional”.
No decorrer da década de 1980, o clima político gerado com a possibilidade do final da Ditadura Militar reacendeu os movimentos sociais e, com estes, inúmeras reivindicações da sociedade brasileira. Isso incluía a própria condução das políticas educacionais de forma democrática e, como afirma Lalo Minto, em artigo publicado na revista eletrônica HISTEDBR On-line, a principal reivindicação era a de “gestão democrática da educação, tanto em seu conjunto, enquanto política educacional, como também na gestão das unidades de ensino nos diversos níveis” (2006). Nesse contexto, tanto histórico quanto político, as propostas de descentralização e autonomia escolar para o ensino foram colocadas em prática a partir do final da década de 1990, após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, conhecida como LDB (Lei n° 9.394/96). Essa lei regulamenta a gestão democrática da escola, estabelecendo orientações para a integração entre escola e comunidade, a organização do espaço físico, o trabalho pedagógico e a participação dos integrantes da escola.
Diante disso, surgiu a necessidade de ampliar as funções do diretor que passou a incorporar a responsabilidade de administrar uma instituição que atendesse aos interesses da sociedade contemporânea. O conceito de “gestor escolar” foi importado da iniciativa privada para a administração pública, o que gerou muitas críticas de alguns especialistas e estudiosos da educação. Essas críticas dizem respeito ao perigo que a gestão escolar corre de ser confundida pelos dirigentes como gestão empresarial guiada por metas econômicas e interesses de mercado. Entretanto, essas considerações, apesar da inegável consistência, não devem impedir a mudança de paradigmas educacionais quanto à melhoria da qualidade de ensino no país e, em conseqüência, a melhoria dos índices educacionais. É nessa perspectiva que a necessidade de implantar os conceitos e instrumentos do setor privado para o público deve ser vista e, segundo Santos et al., é necessário,
que a idéia de que a escola é uma organização que precisa ser gerida de uma forma competente para o cumprimento de sua função social, precisa ser debatida e encarada à luz da administração sob pena de manter a ‘instituição’ num nível de endeusamento, fora do que a realidade atual exige (grifo do autor, 2006, p.50),

Dessa forma, o novo papel do diretor, agora chamado “gestor escolar”, com o nível de exigência profissional cada vez maior e novas demandas surgindo em todas as áreas – pedagógica, administrativa, financeira, legal, etc. – necessita de atualizações constantes que perpassam por uma definição do padrão do dirigente escolar requerido pela gestão participativa e autônoma da escola e para que possa acompanhar e compreender as mudanças que atravessam todo o reordenamento do Estado e da educação.

REFERÊNCIAS

SANTOS, Edvoneide S. J. et al. Projeto de Fortalecimento da Gestão e Autonomia Educacional: O Desafio de Implantar a Gestão Estratégica no Sistema Educacional Baiano. In: Revista da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Educação em Debate, Salvador, n° 1, p.37-58, jan/jun. 2006.
MINTO, Lalo Watanabe. Administração Escolar no Contexto da Nova República (1984...). Revista HISTEDBR On-line. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/. Acesso em 17 de agosto de 2006.
[1] Trabalho solicitado pela professora Patrícia Magris, como requisito parcial de avaliação da disciplina Política Educacional, do Curso de Letras, UNEB, CAMPUS XX.
[2] Graduanda do Curso de Letras, Turno Vespertino, Campus XX, UNEB

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