Monday, August 21, 2006

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Mari Rosângela Novais Leite Caíres

UNEB – Universidade do Estado da Bahia
CAMPUS XX – Brumado – Vespertino
Disciplina: Política Educacional
Professora: Patrícia Magris
Aluna: Mari Rosângela Novais Leite Caíres


EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


A lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional indica o uso de metodologias de ensino a distância para situações específicas que vão desde o ensino fundamental (Art. 32, § 4º) ao ensino superior (Art. 47, § 3º), mas com restrições quanto ao primeiro no tocante à educação de crianças, quando estabelece que, nesse caso, o ensino a distância será utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais (Art. 32 § 4º). É o sempre inconveniente pode mas não deve.
Nenhum educador ou autoridade educacional jamais pretendeu ou pretenderá, se realmente conhecer do risco e do riscado, substituir o ensino presencial pelo ensino a distância. O ensino a distância, como metodologia, no entanto, pode e deve ser adotado para crianças, jovens e adulto, sem restrições. O que é indispensável para a adoção é quem for fazê-lo ter a exata noção da adequabilidade e dosagem à clientela-alvo e se os docentes ou a escola estão competentemente capacitados para o efeito.
Para muitos, ensino a distância é uma forma enganosa de orientar o processo de aprendizagem, apesar de uma boa parcela da população brasileira continuar à margem da educação básica. Infelizmente, o Brasil nunca deu muita importância a essa tecnologia. Mas agora, com a nova LDB, o ensino a distância sai da clandestinidade, embora com pequenos resistentes preconceitos.
É competência da União credenciar as instituições que desejem ministrar cursos e exames, valendo-se do ensino a distância. A Lei nº. 9384/96 procura tirar da marginalidade (Art. 87) milhões de jovens e adultos brasileiros insuficientemente escolarizados, ou seja, aqueles que não puderam ou que não tiveram acesso à educação na idade própria. Isto quer dizer que há uma considerável massa da população candidata à escolarização. Os meios e as escolas convencionais existentes não têm a mínima chance de atender a tão expressiva quantidade de alunos. Somente pela via de tecnologias de ensino será possível fazê-lo.
A escola formal que se pratica hoje, em grande escala, com sua concentração em tempos e lugares específicos, para proporcionar a aprendizagem, não pode corresponder às expectativas do homem que dará continuidade à sociedade atual.
A educação a distância é o modelo de ensino que conseguirá alcançar os mais distantes rincões, onde a educação formal não pode chegar ou não vingou. Não pode chegar porque ainda é uma quimera a universalização da educação e não vingou porque ainda falta massa crítica para que haja um conjunto mínimo de pessoas para compor um quadro docente qualificado. Além dos rincões, a educação a distância tem um alcance ainda não testado em toda a sua extensão e pode ser amplamente utilizada nas grandes cidades, pois permite aos habitantes das grandes metrópoles administrar seu tempo que é escasso em face das necessidades de trabalho e das dificuldades de deslocamentos.
Sendo assim, a proposta é que se adote, para a educação a distância preconizada pela nova LDB, uma concepção de educação centrada na escola-função, a escola que vai ao encontro do aluno onde quer que se encontre; que respeita a sua individualidade, suas necessidades e possibilidades; que procura soluções para a contradição massificação versus qualidade, e cuja a operacionalização é viável, somente, pela via de educação a distância e que se fundamente no auto-estudo, no estudo independente e orientado, no processo de aprender a aprender, constituindo, por com seguinte, a melhor alternativa de libertação ideológica e conceitual no processo de aprendizagem e democratização da educação, quando permite o acesso, a ela, da população há tempo marginalizada.
Há muitos conceitos, definições e denominações para a educação a distância. Uns confundem para a educação a distância com ensino a distância, empregando essas denominações como se fossem sinônimas. No máximo, são assemelhadas. Ensino quem é do ramo sabe, representa instrução, socialização de informação ou da aprendizagem; já educação diz respeito à “estratégia básica de formação humana, aprender a aprender, saber pensar, criar, inovar, construir conhecimento, participar”. Educação a distância é metodologia e não modalidade ou gral de ensino não podendo ser confundida com os cursos e exames supletivos estabelecidos na anterior LDB (Lei nº. 5692/71), pois ela pode ser adotada também no ensino regular e escolas convencionais.
A educação a distância distingue-se da metodologia presencial porque é “um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal na sala de aula entre professor e aluno como meio presencial de ensino pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o apoio de uma organização e tutoria que propiciam uma aprendizagem independente e flexível” (Lorenzo García Aretio).
A interação educativa entre o estudante e o professor é fundamental na educação a distância, mesmo não sendo direta. Enquanto no ensino presencial ela se dá cara a cara, a distância ela ocorre de forma dinâmica, pois se vale de diversificados meios interativos, com caminhos alternativos para o entendimento e a aprendizagem,a pergunta e a resposta, só que em momentos e lugares diferentes da via presencial, principalmente fazendo uso de uma estrutura de suporte e uma organização de apoio à disposição tanto do professor quanto do aluno.
É claro que a educação a distância requer competências e pleno domínio sobre o sistema que se definiu e se quer implementar. Não se pode cometer a insensatez de adotar a educação a distância por modismo ou porque ela pode ser massiva e resolver o problema das universalização do atendimento escolar de jovens e adultos que não tiveram chance ou oportunidade na idade própria.
Portanto, a educação a distância não é uma panacéia, mas uma metodologia consubstanciada em um sistema integral de atendimento à população, como meio mais acessível, flexível e de qualidade, que busca atender às suas peculiaridades, expectativas e necessidades. Com um bem-estruturado sistema de educação a distância é possível promover o crescimento pessoal e o profissional de quem não teve oportunidade de obtê-los pela via da escola convencional. A escola-função a distância e aberta tem a possibilidade de promover sensíveis mudanças no sistema educacional brasileiro. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional abre esta perspectiva. A educação a distância é a forma pela qual poderá haver a tão decantada democratização do ensino, com a perspectiva de universalização de atendimento às populações que ficam ou ficaram à margem do sistema educativo brasileiro. Porém um sistema de educação a distância não pode e nem deve ser utilizado para “massificar”, mesmo que possa atender às “massas” desfavorecidas.
Assim, sem pretender substituir o ensino presencial pela educação a distância, é reconhecido o grau de importância desta última, para a população do Brasil e a ela é dado o destaque que, embora tardio, a LDB bem o fez.

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