Tuesday, August 22, 2006

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

UNEB - Universidade do Estado da Bahia
Departamento de Ciências Humanas e Tecnologia – DCHT
Campus XX – Brumado-Ba Vespertino
Discente: Antônio Francisco dos Santos

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Acabar com o analfabetismo no Brasil. Garantir a todos os brasileiros o direito de aprender a ler e a escrever. Gerar emprego e renda. Fazer com que, ate 2006, 2m milhões de jovens e adultos tenham uma nova perspectiva de vida.
Essas são propostas dos programas de jovens e adultos.
De Norte a Sul, de Leste a Oeste, de Oiapoque ao Chuí, o Brasil tem, segundo o Censo demográfico de 2000, do IBGE, 16.294.889 analfabetos. Levando-se em consideração o aumento populacional que ocorreu da lá pra cá, e a omissão daqueles que se envergonham de dizer que não lêem e não escrevem, o Governo trabalha com uma estimativa de 20 milhões de jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de freqüentar uma sala de aula.
São pessoas que não sabem sequer desvendar placas e endereços ou simplesmente identificar o que vêem escrito no ônibus que tomam todos os dias para ir ao trabalho ou voltar para casa. Historias de jovens de 15 anos em diante e de adultos que vão poder resgatar sonhos, projetos, identidade e respeito por meio da leitura e da escrita.
As mudanças pelas quais passa o Brasil têm colocado ordem do dia a reflexão sobre o papel da educação na transformação da realidade brasileira. Presenciamos pela primeira vez no País um governo que tem como principal meta minimizar os efeitos de séculos de injustiça social, resquícios de um passado escravista, cuja abolição manteve os escravos sem terra e seus filhos sem escola. A esses se juntaram, ao longo da história, uma legião de brancos pobres, aumentando ainda mais as desigualdades e as injustiças sociais.
A pouca atenção historicamente dispensada à educação impediu a conformação de um processo educacional capaz de destruir a barreira entre pobres e ricos. Vivemos, hoje, em um país em que 10% mais ricos da população apropriam-se de aproximadamente 50% da renda. Essa desigualdade se expressa na educação formal: o décimo mais rico da população apresenta média de 10,7 anos de estudo; já os 10% mais pobre não atingem, em média, quatro anos de estudo.
Mas a questão da desigualdade e da exclusão sociocultural. No Brasil, das cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 15 anos, que sabem ler e escrever, 65% são negras ou pardas e somente 3% da população negra conclui o Ensino Médio. Entre os analfabetos brasileiros, mais de 50% são mulheres e, entre as mulheres analfabetas, mais de 63% são negras. Após os séculos de igualdade racial formal, não exterminamos a educação da escravidão. Mesmo com a mulher ocupando um papel social mais importante, não exterminamos as desigualdades de gênero.
Uma educação que assuma a acepção plena da palavra, contrapondo-se à qualquer forma de exclusão passa pela implementação de políticas públicas estruturantes. E é nesse caminho por um processo educacional capaz de cicatrizar a divisão social brasileira que o ministério da educação reconhece a sua missão. Nesse sentido, o Governo transformou a Secretaria do Programa de Bolsa-Escola do MEC em Secretaria de Inclusão Educacional (Secrie), à qual novos programas foram agregados. Com isso, o Ministério abre caminho para ampliar a sua atuação, assumindo um papel pró-ativo na promoção de uma educação de qualidade para todos.
Com controle mais rigoroso da freqüência escolar dos beneficiários do Bolsa-Escola – que passam a integrar o Bolsa Família, resultante da unificação de diferentes programas sociais do Governo – e a implementação de ações educativas complementares de combate à evasão escolar, de superação das desigualdades, de incentivo à permanência e promoção dos alunos do Ensino médio e do programa de capacitação, a Secrie passa a ter uma atuação efetiva na garantia do acesso, da permanência e do sucesso escolar de crianças e de adolescentes em situações de desigualdade, pobreza e vulnerabilidade social, bem como na oferta de oportunidades educacionais aos jovens e adultos nessas condições.
No entanto, não se desconstrói um histórico de injustiças social em quatro anos. Por isso, precisamos sensibilizar e mobilizar toda a sociedade – Governo, iniciativa privada e ONG – na construção das mudanças que não são apenas econômicas e sociais, mas também culturais. Criar uma rede em prol da educação capaz de levar a todos os instrumentos para completar a “abolição” e garantir o acesso à cidadania. Educação como um mecanismo de transformação e de inclusão social. Para que tenhamos uma escola para todos, de todos.

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