Friday, August 18, 2006

Avaliação de Irene de Souza Nunes Miranda

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E TECNOLOGIAS – DCHT.
CAMPUS XX – BRUMADO – CURSO: LETRAS
DISCIPLINA: POLÍTICA EDUCACIONAL – SEMESTRE: VII
PROFESSORA: PATRÍCIA MAGRIS
ALUNA: IRENE DE SOUZA NUNES MIRANDA

Durante os primeiros séculos da colonização portuguesa no Brasil o ensino ficara a cargo dos padres da Companhia de Jesus até a medida de expulsão dos mesmos pelo Marquês de Pombal, quando se instaurou o ensino laico. Com a vinda da Família Real para a colônia, ocorreram algumas mudanças cruciais como a criação do Ministério da Educação, fundação de instituições de Ensino Técnico e Superior no Rio de Janeiro e Bahia.
Quando da Proclamação da República, a educação passou por um esquecimento quase total por conta da corrupção que aqui se instalara. Ao final da Primeira República, estudiosos reformadores como Anísio Teixeira e Lourenço Filho implantaram as doutrinas educacionais da Escola Nova já há muito desenvolvidas na Europa. Anísio já falava que “a escola como instituição não pode ser transplantada. Tem de ser recriada em cada cultura, mesmo quando essa cultura seja politicamente o prolongamento de uma cultura matriz”. Sendo assim, urge que se crie condição favorável para uma educação eficaz a qual propicie efetivamente a aprendizagem, ou seja, uma mudança de postura de cidadão mais consciente e ativo a fim de transformar a sociedade na qual se está inserido.
A escola tem sofrido muitas mudanças nos últimos tempos, nessa busca constante e incansável de atender aos anseios de uma sociedade moderna. Houve a implantação de novos formatos de organização e de partilhamento de poder na escola o que implica no redimensionamento da cultura escolar autoritária que temos. A busca de ações que fortaleçam uma cultura de participação envolvendo a comunidade local e escolar que constitui meta comum de pais, alunos, professores, funcionários e gestores.
Independentemente de suas modificações no decorrer da história, a escola foi a instituição que a humanidade criou para socializar o saber sistematizado. Isto significa dizer que é o lugar onde, por princípio, é veiculado o conhecimento que a sociedade julga necessário transmitir às novas gerações. Nenhuma outra forma de organização até hoje foi capaz de substituí-la. Para cumprir seu papel, de contribuir para o pleno desenvolvimento da pessoa, prepará-la para a cidadania e qualificá-la para o trabalho, como definem a Constituição Brasileira e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), é necessário que suas incumbências sejam exercidas plenamente.
Assim, é preciso ousar construir uma escola onde todos sejam acolhidos e tenham sucesso. Nesse sentido, é importante pautar a prática docente nos princípios que constituem os quatro pilares da educação: aprender a ser, a conviver, a fazer, a conhecer; recentemente acrescidos do aprender a antever e a participar, o que concebe o respeito às diferenças individuais e culturais, considerando que todos são iguais perante a lei natural e constitucional.
Vale ressaltar o quão é relevante a gestão democrática do ensino e da escola, tão discutida em nosso tempo, a qual assegura o direito de todos à educação, fortalece a escola como instituição plural, sem preconceitos, e contribui para a redução das desigualdades sociais, culturais e étnicas. Se considerarmos a tênue relação que deve haver entre a escola e a sociedade da qual a instituição faz parte, concluiremos que o modelo escolar brasileiro está em crise, pois o mesmo não funciona em sua plenitude. Segundo Augusto Dias, há que se considerar algumas características importantes, seja do ponto de vista dos inputs (contribuições da sociedade), do processo e do outputs (devoluções da escola). A primeira se refere aos recursos financeiros que devem ser suficientes, a admissão do pessoal necessário e ainda, haver vagas para todos assegurando o direito à educação estabelecido pela Constituição Brasileira.
Já com relação à segunda, preconiza-se que os currículos devem ser atualizados com a velocidade necessária e contextualizados a fim de atender melhor a clientela e poder assim cumprir a função social da escola citada anteriormente, pessoal qualificado que desempenhe a contento seu papel de propiciar o desempenho acadêmico dos alunos evitando a evasão, a repetência e, obviamente, garantindo o respeito às diferenças individuais. Feito isso, a escola então devolverá à sociedade, campo de onde provêm os educandos sob seu comando, os profissionais munidos de suficiente orientação, o que consequentemente acarretará o desenvolvimento cultural da população.
Porém, essa realidade não se confirma posto que o Brasil ainda mantém a velha cultura de copiar modelos de programas educacionais de realidades completamente diferentes da nossa, contando com financiamentos com os quais se atrela a ponto de supervalorizar os resultados quantitativos em detrimento dos qualitativos. Nesse sentido, a cada ano que passa, apesar dos investimentos materiais como o PDE (Programa de desenvolvimento Escolar), as diversas campanhas em prol da permanência da criança na escola, o suporte dos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais) e a lei que estimula a Formação Continuada, o Sistema Escolar Brasileiro não tem encontrado seu caminho.
É imprescindível que as ações sejam planejadas de forma a atender as reais necessidades e a cultura local, pois para Dias, a causa está na falta de visão e se trata de um reflexo da condição de um País em desenvolvimento. Não basta, portanto, investir apenas na escola; são necessárias e urgentes também políticas públicas que contemplem o desenvolvimento econômico do País melhorando as condições de vida da população cujo ambiente não condiz com a realidade exigida pela escola, a qual se torna, por isso, excludente ao buscar uma padronização, esquecendo-se de que é a escola que cabe adequar-se ao aluno, e não o contrário.
Para Anísio Teixeira isso acontece porque nosso modelo de educação ainda é selecionador e prega a ascensão social como função fundamental, quando esta deveria ser apenas suplementar. Ele defende que sua função é permitir ao indivíduo viver eficientemente em qualquer nível de vida; infelizmente a situação atual ainda é de despreparo por parte de muitos profissionais que desconhecem formas de lidar com o aluno para fazê-lo aprender, então este sai da escola assim como entrou, sem perspectivas para ingressar no mercado de trabalho, hoje tão competitivo



REFERÊNCIAS:
DIAS, José Augusto. Sistema Escolar Brasileiro. Cap. V. In MENEZES, J. G. de C. et al. Estrutura e funcionamento da educação básica: leituras. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001 (p. 127 a 136).

PENIN, Sônia Teresinha de Sousa. Progestão: Como articular a função social da escola com as especificidades e as demandas da comunidade?, Módulo I. Brasília: CONSED, 2001.
TEIXEIRA, Anísio. Educação no Brasil. 2ª Edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional – MEC, 1976.

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