Saturday, August 19, 2006

Avaliação de Aldair Silva Araújo

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB
CIÊNCIAS HUMANAS E TECOLOGIAS – CHT CAMPUS XX CURSO: LETRAS SEMESTRE: VII
TURNO: NOTURNO
DISCIPLINA: POLITICA EDUCAIONAL
PROFESSORA: PATRICIA MAGRIS
ALUNO: ALDAIR SILVA ARAÚJO


Nos últimos anos, principalmente durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, houve um grande aumento do número de crianças na escola (chegando atualmente a quase 100%), entretanto, este crescimento não aconteceu na mesma proporção no tocante à qualidade, isso se dá por falta de políticas educacionais competentes. Sabe-se que a qualidade do ensino brasileiro nunca foi invejável, porém este fato se tornou crítico com a universalização do ensino básico, pois, com o aumento do número de crianças na escola, houve também em decorrência disso, aumento do número dos problemas, tais quais: má formação do corpo docente, currículo ultrapassado que não corresponde à realidade, metodologia e recursos ineficazes, problemas na avaliação, entre outros. Boa parte do corpo docente brasileiro ainda é de secundaristas que fizeram o ensino médio em magistério, e nas regiões norte e nordeste ainda se vêem classes multiseriadas regidas por professores com ensino fundamental ou grau inferior. Menos alentador é que parte não desprezível dos que possuem nível superior não continua os seus estudos, o que acaba provocando descompasso entre a prática e a realidade. Nota-se também que devido aos baixos salários, os profissionais com boa formação e comprometimento estão migrando para outras áreas mais rentosas, o que acaba deixando o lugar vago para pessoas desqualificadas que tratam a profissão como “bico”. Outro problema verificável é o currículo, percebe-se que a grade curricular do ensino no Brasil é fragmentária. Pois, sabe-se que o mundo não é dividido e subdivido por elementos desagregados, mas existe uma inter-relação inerente às partes para compreensão do todo. Em vez de tantas disciplinas independentes, a escola deveria trabalhar com cinco delas: Lógica (que envolveria as disciplinas Matemática, Física e Química), Comunicação e Expressão (Arte, Português, Filosofia, e Religião), Ciências Humanas (Geografia, História e Sociologia) Ciências Biológicas (Biologia, Ciências e Programa de Saúde), Educação Corporal (Educação Física e Educação Sexual), e paralelamente deveria se trabalhar nestas novas disciplinas, os temas transversais dos PCN`s. Entretanto, mesmo assim, poderiam dizer que a fragmentação continuaria. De certa forma teriam razão, porém, adotando a divisão acima, diminuiria a diversidade disciplinar, o que tornaria viável o trabalho interdisciplinar ou até mesmo o multidisciplinar. Além disso, nota-se que a metodologia e recursos utilizados não estão sendo produtivos, isso se deve pela falta de materiais didáticos necessários e também pelo mau uso dos variados instrumentos pedagógicos. É sabido que grande parte dos nossos professores ainda utilizam como única fonte de trabalho o quadro-de-giz, por outro lado, percebe-se também que está chegando em parte das escolas brasileiras uma variedade de aparelhos que tem como função o ensino-aprendizagem, mas na maioria das vezes o professor não sabe manuseá-los ou utilizam-nos sem objetivo. É interessante ressaltar que existem alguns mestres que por preguiça ou pela falta de compromisso deixam de planejar as suas aulas, o que provoca uma completa desorganização estrutural do trabalho, devido a isso, muitos acabam recorrendo ao livro didático como alternativa (salva guarda) para suas aulas monótonas e improvisadas. Falta a estes professores que já estão na ativa, cursos de aperfeiçoamento para que essas novidades tecnológicas sejam usadas de forma efetiva na construção do conhecimento, e não simplesmente para divertir ou preencher o tempo nas aulas vagas. A avaliação na escola é concebida por muitos professores, segundo Jussara Hoffman, como avaliação bancária, em que o professor vai expondo todo o conteúdo durante o bimestre e no final deste, marca um dia para receber de volta tudo o que foi depositado. Se o aluno por qualquer motivo não conseguir “pagar” tudo aquilo que foi passado, todo o trabalho durante os sessenta dias “vai por água a baixo”. O que se ver neste caso, não é somente um problema referente à avaliação, mas também um problema ligado diretamente à metodologia aplicada na sala de aula, em que o aluno é visto como uma tábua rasa que o professor vai depositando o conhecimento. Percebe-se, então, que a avaliação é usada com um propósito: verificar para separar o “joio” do “trigo”, os que passam no teste recebe a nota máxima como prêmio, os maus vão para curso de férias como castigo pela falta de compreensão do conteúdo aplicado. Desse modo, o problema não está localizado apenas na parte final do processo de ensino-aprendizagem, mas desde da base até o fim deste. Ao invés de continuar esta prática obsoleta, o mestre deveria levar em consideração os sujeitos presentes na sala de aula, pois como afiram Freire: é na inter-relação (através da troca de experiências) que quem aprende ensina, e este ao ensinar acaba aprendendo. Além do mais, o trabalho na classe deveria pautar-se na pesquisa, pois é no processo de busca, instigada pelo professor, é que nasce o desejo de investigação, fruto do conhecimento duradouro. É na relação com o outro, através da pesquisa, mini-projetos, no respeito às diferenças, na auto-avaliação e na avaliação contínua é que se forma o ser humano. Desse modo, o Brasil ainda tem um longo “dever de casa” a cumprir antes de despontar no ranking dos índices da educação mundial. Para tanto, como é véspera de eleição, faz-se necessário saber escolher governadores, deputados, senadores e presidente compromissados com o nosso sistema de ensino. Somente assim, através do uso deste instrumento democrático é que o país poderá sair do atraso sócio-cultural em que se encontra.

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