Monday, August 21, 2006

AUTONOMIA DA ESCOLA PÚBLICA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA

AUTONOMIA DA ESCOLA PÚBLICA: UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA

Cledemícia da Silva Leite Lima[1]



Entende-se por gestão escolar o processo de organização e funcionamento da escola, comprometida com a formação do cidadão, não com uma formação qualquer, mas com uma formação de qualidade, uma formação que seja capaz de levar os alunos a adquirir competências e habilidades necessárias para se tornar cidadãos críticos e participantes numa sociedade em transformação.
É importante então, que a escola seja capaz de construir uma autonomia, isto é, construir sua identidade para que assim possa gerir esse ensino de qualidade. O maior problema em educação é o fato de que as escolas não possuem em sua maioria os instrumentos e a autoridade necessários para a resolução dos diversos problemas que surgem em seu cotidiano, portanto dar à comunidade escolar condições para realizar uma gestão autônoma é o começo para a transformação no âmbito da escola.
A autonomia, no entanto, não quer dizer que a escola deva isolar-se, pelo contrário, deve ser o ponto de partida para que esta possa fornecer a possibilidade de um ensino de qualidade, na qual alunos, professores e comunidade escolar juntos possam compreender os problemas do mundo que os cercam e utilizem seus conhecimentos para encontrar as soluções.
Para que essa possibilidade exista de fato, é necessário uma política educacional que venha apoiar a autonomia da escola, de acordo com suas realidades locais.
Dessa forma verifica-se que a autonomia da escola não constitui um fim em si mesmo, mas sim uma maneira de realizar em melhores condições a formação de seus alunos. Portanto a autonomia da escola é uma construção social e política que acontece pela interação de todo o corpo docente, discente, administrativo, técnico, e de serviços auxiliares existentes na instituição, pois somente a participação efetiva e coletiva de todo o pessoal envolvido no processo educativo pode garantir que a verdadeira aprendizagem possa se concretizar.
Assim, é interessante destacar que é por meio de um planejamento organizado e do desenvolvimento de um projeto político-pedagógico que serão alcançados os objetivos propostos num processo educativo, e ao mesmo tempo, dará a oportunidade a cada um dos membros envolvidos para refletirem sua própria prática.
Na verdade, este é um trabalho que deve ser construído na base do respeito, do diálogo, do companheirismo, da solidariedade, pois um processo pedagógico coletivo possui, em seu interior, o potencial de transformação e a escola precisa atuar com competência para que uma aprendizagem de qualidade aconteça.
A organização de um projeto pedagógico coletivo forma a identidade de cada instituição escolar e é a forma de introduzir uma gestão moderna para gerar inovações na aprendizagem. E assim, ao diretor da escola cabe o papel de líder do processo, exercendo a função pedagógica e social do mesmo.
Nessa perspectiva, o diretor desempenhará um papel importante dentro da instituição escolar, atuando em sintonia por integrar o projeto pedagógico com todos protagonistas do processo.
Sendo assim a autonomia da escola pública não é uma construção pronta e acabada, mas um processo em constante movimento, pois inicia um novo tipo de relação entre os protagonistas envolvidos, criando situações comunicativas, levantando questionamentos e estimulando a participação direta de todos, pois somente uma gestão democrática, que garanta essa interação, tem condições de levar a escola pública a encontrar seu verdadeiro caminho.






[1] Graduanda em Letras pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB.

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